Onde Estamos

PORTUGAL

Em território nacional os projetos desenvolvidos pela ATM têm um carácter mais abrangente e integrador, uma vez que são estruturados para poderem ser implementados nos países lusófonos em vias de desenvolvimento, partindo da base linguística comum, a Língua Oficial Portuguesa.

Por outro lado a ATM pretende facilitar a troca de informação, promover a articulação entre as várias organizações nos países lusófonos, bem como prestar apoio técnico e científico aos diferentes projetos.

A ATM desenvolve ainda projetos de educação ambiental e de desenvolvimento em Portugal como meio de consciencialização e de divulgação das realidades e dos desafios dos países em vias de desenvolvimento junto da opinião pública portuguesa, de forma a promover boas práticas de gestão sustentável e de conservação da biodiversidade marinha e costeira utilizando as tartarugas marinhas como “embaixadoras do mar”.

 

SÃO TOMÉ E PRINCIPE

Localizado na África Central, São Tomé e Príncipe é um arquipélago com grande diversidade biológica, no qual a fauna e flora merecem especial atenção devido ao seu valor incalculável. As tartarugas marinhas são uma das espécies mais importantes para São Tomé e Príncipe, uma vez que cinco das sete espécies existentes no Mundo frequentam as suas águas, e quatro delas procuram as praias santomenses para desovar. No entanto, apesar dos esforços de conservação, ainda são muito caçadas para consumo e comércio no arquipélago.

A ATM iniciou o seu trabalho em São Tomé e Príncipe em 2012, dando continuidade a algumas iniciativas anteriores, como o Programa Sada, a ECOFAC, a PROTOMAC, a Comissão Tartaruga Marinha e a MARAPA.

Na Ilha do Príncipe, em 2012 a ATM em parceria com a HBD (Here Be Dragons), durante dois anos, elaborou uma caracterização da situação da nidificação das tartarugas marinhas na Ilha do Príncipe e implementou um projeto de monitorização e proteção das principais praias de nidificação e de monitorização marinha nas áreas de concessão turística da empresa HBD. Estas atividades foram desenvolvidas em estreita cooperação com as entidades congéneres nacionais e em particular com as comunidades locais, através da elaboração e promoção de um conjunto de atividades de educação para o desenvolvimento e de sensibilização da população para a conservação do ambiente marinho e costeiro e das tartarugas marinhas, promovendo a formação e o reforço institucional das entidades envolvidas e a geração de alternativas económicas para as comunidades locais. Embora a ATM tenha deixado de intervir diretamente na Ilha do Príncipe, a dinâmica de conservação das tartarugas marinhas continua até à data desenvolvida por outras organizações locais.

Na Ilha de São Tomé, foi estabelecida em 2012 uma parceria entre a ATM e a ONG nacional MARAPA (Mar, Ambiente e Pesca Artesanal), integrando e desenvolvendo o já existente Programa TATÔ. O Programa Tatô, Programa de Proteção das Tartarugas Marinhas na Ilha de São Tomé, foi desenvolvido e implementado pela ONG Marapa em 2003 dedicando-se à proteção, conservação e estudo das populações de tartarugas marinhas, através de ações de conservação e de sensibilização positivas no que diz respeito à redução da captura de tartarugas marinhas e destruição de ninhos por ação humana, mas com certas limitações no envolvimento e desenvolvimento das comunidades locais e na recolha e tratamento de dados para melhor entender e conhecer as dinâmicas das populações das várias espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no arquipélago. Desde 2012, a ATM e a MARAPA, em parceria e cooperação, têm assegurado a coordenação do Programa Tatô promovendo e contribuindo ativamente para o reforço institucional; para a educação, a formação e sensibilização; para o desenvolvimento das comunidades locais, jovens e sociedade civil; para a geração de alternativas económicas das comunidades locais cujos meios de subsistência estão ligados ao comércio de tartarugas marinhas e dos seus subprodutos; para a melhoria do estado de conservação do ambiente marinho e costeiro e das tartarugas marinhas através da proteção direta e o aprofundamento do conhecimento científico com o envolvimento direto das comunidades locais. Saiba mais sobre o Programa Tatô aqui.

 

CABO VERDE

O arquipélago de Cabo Verde é um dos mais importantes sítios de desova para as tartarugas da espécie Caretta caretta. Apesar dos esforços existentes por parte de várias ONGs e parceiros internacionais, estes animais continuam sobre uma enorme ameaça e em grande perigo de extinção ao nível nacional, principalmente devido à caça e comércio intensivo. Inúmeras organizações nacionais e internacionais desenvolvem importantes programas de conservação nas diferentes ilhas. Saiba mais aqui.

Desde 2013 a ATM desenvolveu uma parceria com a ONG Fundação Tartaruga, que desenvolve atividades de conservação e pesquisa de tartarugas marinhas na Ilha de Boavista, para intercâmbio e capacitação técnica dos guardas, membros das comunidades locais de São Tomé e Príncipe e membros da equipa do Programa Tatô, fortalecendo assim as suas competências e motivação.

 

GUINÉ-BISSAU

Na Guiné-Bissau a conservação das tartarugas marinhas está sobre a responsabilidade do Instituto de Biodiversidade e das Áreas Protegidas (IBAP), instituição pública responsável pela gestão da rede nacional das áreas protegidas. Desde os anos 90, o IBAP e os atores de conservação têm contribuído para a melhoria do conhecimento e do estado de conservação das tartarugas marinhas nas principais praias de nidificação, com especial enfoque no arquipélago dos Bijagós, e em particular no Parque Nacional Marinho de João Vieira e Poilão e no Parque Nacional de Orango, uma das áreas mais importantes em África para as tartarugas marinhas. Para além de ações de monitorização, pesquisa e proteção das tartarugas marinhas implementadas pelo IBAP com vários parceiros (MAVA, FIBA, USFWS, ISPA), ações de sensibilização e iniciativas de educação ambiental foram desenvolvidas através de uma parceria entre a ATM e o IBAP para a publicação de um livro infantil intitulado “A viagem da visitante mais antiga da Guiné-Bissau” implicando o IBAP na revisão e adaptação dos conteúdos. A colectânea em desenvolvimento pela ATM pretende relatar a vida da espécie mais emblemática de tartaruga marinha de cada país lusófono, para ser distribuído nas escolas dos diferentes países de Língua Oficial Portuguesa, promovendo a educação, cultura e sensibilização, para uma mudança de mentalidade e de comportamento sobre a importância da conservação do meio ambiente e das tartarugas marinhas.

Depois desta primeira colaboração positiva, a ATM tem vindo a refletir com os atores guineenses sobre as prioridades de conservação das tartarugas marinhas ao nível nacional de forma a contribuir para desenvolver e reforçar a longo prazo as iniciativas de conservação e desenvolvimento. Em 2018, a ATM trabalhará em estreita colaboração com o IBAP em ações de sensibilização e partilha de experiências entre técnicos de ambas organizações. Em breve haverá mais notícias sobre esta nova iniciativa aqui.