Desova

Para desovar, as fêmeas procuram praias desertas e normalmente esperam o anoitecer, uma vez que o calor da areia, durante o dia, dificulta a postura e a escuridão protege-as de vários perigos. Tal hábito pode também estar relacionado com as limitações fisiológicas de manutenção da temperatura do corpo, evitando longa exposição ao sol. Em algumas situações, porém, são observadas desovas diurnas, geralmente condicionadas aos horários de maré-alta, em locais circundados por barreiras de recifes, que impedem a subida das fêmeas em marés baixas.

Quando a noite vem, as tartarugas escolhempreferencialmente, um trecho de praia livre da acção das marés.

Ao encontrar um local apropriado, com as barbatanas anteriores e com movimentos que envolvem todo o corpo, a fêmea escava um grande buraco redondo, de mais ou menos dois metros de diâmetro, a cama, onde se vai acomodar para iniciar a confecção do ninho.

Elas podem fazer várias camas, até escolherem o local ideal para pôr os seus ovos.

Feita a cama, cavam o ninho, em movimentos sincronizados com as barbatanas traseiras alternando entre uma e outra.

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O ninho tem cerca de meio metro de profundidade e quando está pronto a tartaruga começa a colocar os ovos.

Por terem uma casca flexível, não se partem ao caírem uns em cima dos outros.

Os ovos ficam protegidos, cobertos por uma espécie de muco e pela areia com que a tartaruga cobre o ninho.

Após a postura a fêmea cobre o ninho e faz a camuflagem do local de postura, utilizando os membros posteriores e anteriores, tentando disfarçar o local de postura de eventuais predadores. Após a camuflagem retorna ao mar.

Situações como a presença de lixo na areia, barulho e/ou iluminação repentina (ou contínua) e outros factores ambientais, podem desestimular a subida da fêmea, e consequentemente provocaro seu retorno imediato ao mar. Nestas situações, a fêmea retorna pouco tempo depois em locais adjacentes, para desovar.

Este comportamento varia um pouco de acordo com a espécie e com a área em questão, mas sabe-se que em uma temporada de desova a mesma fêmea pode realizar entre três a seis posturas com intervalo internidal de 12 a 16 dias entre uma postura e outra. As fêmeas normalmente não se reproduzem em anos consecutivos. A duração entre dois períodos reprodutivos é definida como intervalo de remigração. Este período varia entre espécies e entre populações da mesma espécie. Os ciclos reprodutivos podem ser anuais, bianuais, trianuais ou irregulares. De modo geral o intervalo de remigração das fêmeas pode oscilar entre 1 e 9 anos.Este período varia entre espécies e entre populações da mesma espécie, podendo aumentar ou diminuir devido à quantidade e qualidade de alimento, mudanças ambientais e distância das áreas de alimentação e reprodução.

A desova nem sempre é realizada solitariamente. Uma variação deste comportamento é observada no gênero Lepidochelys, que em algumas áreas de reprodução realizam o fenômeno conhecido como “arribada”, em que milhares de fêmeas procuram as mesmas praias para desovar ao mesmo tempo. Acredita-se que tal comportamento possa ser estimulado pela liberação de substâncias (hormónios), pelos poros localizados na porção ventral das escamas marginais, observados somente nesta espécie, estimulando outras fêmeas a desovar ao mesmo tempo.

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